sábado, 13 de julho de 2013

Fotos! Casa renova tradições do morar brasileiro by CasaVogue


“Quando vi o terreno, com um levíssimo declive, ladeado por casas, imaginei um grande painel semipermeável, para assegurar a privacidade tanto dos moradores quanto dos vizinhos”, conta o arquiteto Guilherme Torres. Assim surgia o desenho desta morada enigmática no Paraná, que abriga uma jovem família formada por um casal e seus dois filhos pequenos.
Embora por fora a casa pareça uma caixa vedada, feita de concreto e tijolos, no interior percebe-se a maravilha que é o muxarabi. Trata-se de um elemento clássico da arquitetura oriental, que chegou ao Brasil através dos portugueses. Ele garante que nem o olhar, nem o vento e nem o sol penetrem no lar de modo excessivo. Além disso, provoca um impacto visual muito agradável. Torres, fã do elemento como é, já o havia empregado antes em suas obras – inclusive na sua própria casa.
Monumental, a residência de dois andares se projeta na paisagem como um grande monolito retangular flutuante. A enorme peça de concreto é sustentada por dois grandes blocos de alvenaria, ao melhor estilo da arquitetura modernista brasileira, hoje atualizada por nomes como Marcio Kogan, Isay Weinfeld e agora o próprio Torres. Poucos pilares, enormes vãos livres e muros estratégicos que formam delicados jardins compõem este paraíso privado.

Na decoração jovial, as peças com design nacional estão em destaques. Móveis criados pelo próprio Guilherme Torres, como os sofás e as mesas, convivem com peças de grandes mestres do ramo, como a poltrona Mole e as cadeiras Oscar, de Sérgio Rodrigues e outras peças de Carlos Motta.
A presença do design internacional não interfere na eminente brasilidade do projeto. Nas salas há luminárias pendentes de Tom Dixon, sobre a mesa de jantar, e tapetes iranianos, garimpados pelo arquiteto. No quarto da menina há uma cadeira Eames com pés metálicos.
A personalidade dos integrantes da família foi bem representada nos dormitórios. Enquanto a suíte principal é bastante sóbria, não faltam cores aos quartos das crianças. Torres apostou no uso de nichos coloridos para solucionar a demanda de espaços de armazenamento. Enquanto no quarto dela aparecem mais rosas e roxos, que convivem com a madeira, no dormitório do filho há muitos tons de azul no mobiliário e paredes brancas.
Por fim, cabe falar do sutil e belo projeto paisagístico de Alex Hanazaki, que concedeu à casa um ar quase etéreo, devido ao movimento das plumas dos Capins do Texas – planta alta e cheia de personalidade empregada por Burle Marx em muitos de seus jardins. Há também uma horta de ervas próxima à cozinha.














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